sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Melancolia :: Melancholy

Quase dois meses se passaram desde a última vez que escrevi, de forma mais ou menos consistente, neste meu cantinho virtual - facto que dificulta, um bocadinho, o fluir da minha escrita, devo confessar. 

Tenho muitos posts preparados, em rascunho, mas como falho na sua publicação, quando volto a eles, parecem-me já fora de contexto. Outras vezes, as coisas que tenho para transmitir são tão intensas e/ou pessoais que me perco a tentar redigi-las, acabo por apagar tudo e ficar com elas só para mim.

Muita coisa, impossível de transcrever num simples texto, aconteceu, nos últimos meses. Em resumo: Fizemos novas amizades. Reconstruímos o nosso lar. Participamos em incontáveis playdates e playgroups com o S.  Concluímos a burocracia da obtenção da residência e carta de condução. Recebemos visitas. Fomos visitas. Conhecemos países novos. Sobrevivemos ao verão qatari. Festejamos o nosso título de campeões europeus, de uma forma muito especial. Fomos turistas no nosso próprio país. Preparamos o regresso às aulas, e estamos a lidar com ele, à nossa maneira. 

O tempo, de Junho para cá, passou muito rápido, o que não é mau sinal, certo? Parece mentira que estejamos, já, na minha segunda estação do ano favorita: o Outono. Para mim, há um romantismo qualquer nele, transcrevo-o em imagem, por falta de adjectivos que o façam por mim.

Neste meu post, trago um pouco de melancolia, porque biologicamente o meu corpo necessita de respirar Outono. De se arrepiar com o vento. De puxar pelas mantas. De sentir o fresco das primeiras chuvas. De sentir o quentinho da casa e o cheirinho, doce, vindo do forno. 

No Outono, reinicia-se o ciclo da natureza, silenciam-se os zuns zuns dos transeuntes, há um  abrandamento de ritmo natural, que propicia o recentramento, essencial à nossa evolução saudável.

Tudo isto uma miragem, literalmente, uma miragem... 

Sim, aproveitarei, gratamente, o que este lugar terá para me oferecer, nesta época do ano, mas o saudosismo presente no ADN de cada português, afinal também me habita, e aparentemente despoleta a cada Outono.
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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Linguagem Gestual para Bebés. Já conheciam? :: Baby Sign Language. Do you know about it?

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Numa bela manhã, num dos playgroups que costumava frequentar com o meu filho, decorria uma banal conversa entre mães, sobre linguagem gestual para bebés. 
Três, conheciam e tinham praticado, as restantes conheciam, mas não tinham praticado, e eu, depois de ouvir em primeira-mão sobre as experiências, extremamente positivas, das minhas condiscípulas, desejava já ter ouvido falar sobre ela, antes...

Para me sentir melhor comigo mesma, coloquei a culpa no facto de, provavelmente "a moda" ainda não ter chegado ao meu país, na altura em que a deveria ter posto em prática, e prometi a mim mesma, escrever um post sobre o assunto, para ajudar a espalhar a palavra.

Linguagem gestual para bebés consiste, basicamente, em comunicar com os nossos bebés, muito antes de eles conseguirem expressar-se verbalmente (a partir dos 6 meses, sensivelmente), ajudando enormemente, segundo as presentes mães, na redução dos seus choros e desconfortos.
Sabendo-se compreendidos e capazes de se expressar, os bebés impulsionam a sua auto-confiança, aumentam a sua capacidade cognitiva e estreitam laços com os pais. 

Quem conhecia? Quem já experimentou? Quem tem vontade de experimentar?

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In one of these mornings, in one of the playgroups I used to attend with my son, a banal conversation, about baby sign language was happening between moms.
Three of them knew all about it, and had practiced it, the others, heard about it before, but hadn't practiced it. And I, after listening to their extremely positive experiences, wished, to have heard about it before...

To feel a bit better with myself, I blamed the fact that probably the practice hadn't "arrive" to my country, at the time I should have put it into practice. And promised to myself I would write a post about the subject, to help spread the word.

Baby sign language, basically means communicating with our babies before they're able to express themselves verbally (from 6 months onwards), helping greatly, according to the present moms, reducing their cries and discomforts.
Being able to express themselves, in a way they can, babies, boost their self-confidence, increase their cognitive ability and create a special bond with their parents.

Who knew about it? Who's experienced it? Who's willing to try it?

Font 

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terça-feira, 28 de junho de 2016

Escadas super versáteis :: The super versatile stairs

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O que eu adoro estas escadas de dois degraus!!!
São super versáteis! Num minuto servem de auxílio para chegar aos sítios mais altos. No minuto seguinte, facilmente embelezam um cantinho qualquer, (como aqui e aqui). 
Num outro momento, também podem servir de banco extra, quando há mais pessoas em casa do que cadeiras disponíveis. E num outro momento, podem ainda assumir o papel de mesa para o pequeno da casa lanchar...

E fazerem lembrar-me das nossas velhas cadeiras da escola primária...

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Oh I love these two step stairs so much!!!
They are so versatile! One minute they help us reach to the highest places. The next minute, they easily embellish a little corner, (such as in here and in here).
In another moment, they can also serve as an extra seat, when there are more people in the house, than chairs available. 
And some other time, they might also become a snack table for the little one in the house... 

And remind me of our old primary school chairs...




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quarta-feira, 22 de junho de 2016

O meu primeiro jejum :: My first fasting

Viver deste lado do mundo, nesta altura do ano, é muito especial. Junho, foi mês de Ramadan Kareem (Ramadão Generoso). - A época do ano mais importante para os muçulmanos, e da qual eu sabia relativamente pouco.

Muito sucintamente, os muçulmanos fazem jejum do nascer ao pôr do sol, rezam com mais intensidade, abstêm-se de todos os prazeres carnais e são mais generosos para com o seu próximo. Há uma relação muito pessoal e intima com o divino. A sua entrega e motivação pessoal é impressionante.

O jejum é quebrado, em comunidade, com o Iftar. Manda a tradição que seja com 3 tâmaras e um copo de água. É um momento de grande alegria e satisfação, seguindo-se depois, os enormes banquetes de iguarias várias, noite adentro, culminando com o Suhoor, a última refeição, antes do nascer do sol.

Para os não-muçulmanos, aquilo que por aqui se vive nesta época do ano, é essencialmente... estranho. E pode ser até, frustrante, algumas vezes. 

Porém, estando nós, a viver neste mundo tão diferente do nosso, porque não deixar de lado as frustrações de um ocidental, e abraçar a riqueza da cultura local para perceber melhor, como é ser muçulmano, por um dia? 
O desafio que o Hyatt Plaza lançou à população não-muçulmana, no jornal de quarta-feira, atingiu-me como uma flecha. 
Sim. Porque não? 

O evento Fast-a-thon, vai, já na 7ª edição. E por cada inscrição, o Hyatt Plaza, doa 200QR, a um programa educativo para crianças órfãs da Somália.

A minha curiosidade já era significativa, mas quando descobri que ao fazê-lo poderia estar a contribuir para a melhoria de vida de alguém, não necessitei de mais nenhum factor motivacional. Tratei logo de me inscrever a mim, ao marido e à tia, (que está de visita). 

Fiz a minha última refeição, sexta-feira à noite, e só voltei a comer e a beber no Iftar que o Hyatt Plaza preparou, sábado à noite. Foram no total, 21h sem me alimentar e hidratar, (o normal são 16h/17h, mas não nos apeteceu levantar antes do nascer do sol, para o nosso Suhoor).

Os efeitos físicos? Senti-me mais cansada e irritada do que o normal, deitei-me com uma enorme dor de cabeça (mas não sei muito bem, se devido ao jejum ou se ao resultado do jogo Portugal vs Áustria...).
Senti muita falta do meu café da manhã, e só aguentei a sede, porque não saí de casa, para evitar expor-me ao sol/calor. 

Mas em contrapartida, senti um enorme orgulho quando o relógio bateu as 18:30h, naquela tarde. A minha missão estava cumprida. Forcei os meus limites, por uma boa causa. E no final, não tinha sido assim tão difícil, quanto pode parecer. Controlo. É tudo uma questão de controlo. 
Depois quebrar o jejum em comunidade, tem outro significado. Toda a gente tinha um sorriso nos lábios enquanto mastigava as três tâmaras. Conseguimos! Conseguimos! - Pensávamos todos em uníssono.  

Fazer jejum é difícil, requer muito boa vontade. Mas sem dúvida purifica-nos a um certo nível. Pessoas sortudas como nós, sabem que no final do jejum terão abundância de comida e água. É apenas uma questão de horas. Há zonas no mundo, onde essa, não é uma opção. Existe uma enorme gratidão implícita em todo este processo. 
Foi muito bom ter participado neste evento, foi muito bom comungar com os meus Irmãos muçulmanos, e vivênciar aquilo que eles sentem, não existe outra forma de saber, se não se experimentar.
Para o ano, lá estará o meu nome novamente na lista, e talvez cumpra todo o mês do Ramadão.
Sim. Porque não? 

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Living on this side of the world, at this time of year, is very special. June was Ramadan Kareem (Generous Ramadan), this year - The most important time of the year for Muslims, and about which I knew very little.

Very briefly, Muslims fast from sunrise to sunset, pray more intensely, abstain from all carnal pleasures and are more generous to others around them. There is a very intimate and personal relationship between them and the divine. Their personal motivation is impressive to witness.

The fast is broken, in community, with the Iftar. Tradition dictates that it might start with 3 dates and a glass of water. It's a moment of great joy and satisfaction, followed by a huge banquet, with various delicacies, through the night, culminating with the Suhoor, the last meal, before sunrise.

For non-Muslims, what happens here, at this time of the year, is a bit... awkward. And it can even be, frustrating, sometimes.

So when we live in a world so different from ours, why not put aside our Western frustrations, and embrace the richness of the local culture, to get a better inside on how's to be a Muslim, for a day?
The challenge that Hyatt Plaza, launched to the non-Muslim community, on last Wednesday's newspaper, hit me like an arrow.
Yes. Why not?

The charity event, is on its 7th edition. And for each registration, Hyatt Plaza, donated 200QR to encourage orphan children education in Somalia.

My curiosity was significant, but when I discovered that, just by fasting, I could be contributing to the improvement of someone else's life, I did't need any other motivational factor to put my name down, as well as my husband's and aunt, (who is visiting).

I had my last meal, on Friday night, and start eating and drinking again, on Saturday's Iftar, organized by Hyatt Plaza. In total I was fasting for 21h (normal is 16h/17h, but we were too lazy to get up for a snack, before sunrise).

The physical effects? I felt more tired and irritable than usual, I went to bed with a massive headache (but I'm not sure if due to fasting or to the match result between Portugal and Austria...).
I really missed my morning coffee, and only bear thirst, because I haven't left home all day, to avoid sun/heat exposing.

On the other hand, I felt a great pride when the clock struck 18:30h, that afternoon. My mission was accomplished.  I pushed my limits for a good cause. And at the end, it was not so difficult as it might seem. Control. It's all about control.
Then, breaking the fastin community, has a completely different meaning. We all had a smile on our faces, as we savored our three dates. We did it! We did it! - We all thought in unison.

Fasting is fairly difficult. It requires a deep will power. But it surely purifies us in a certain level. Lucky people, like us, know that at the end of the fasting day, there will be plenty of food and water. It's just a matter of hours. 
However, there are areas in the world, where this is not an option. There is a huge gratitude implicit in the whole process.
I'm very pleased with my participation in this event. It was very good to connect with my Muslim brothers and sisters, and experience what they feel, also because there isn't really other way to know, if we don't try it. 
Now, next year I'm planing to put my name down the list, once again, very proudly. And perhaps fast the whole month of Ramadan. 
Yes. Why not?




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sábado, 18 de junho de 2016

O nosso cantinho de leitura :: Our reading corner

Já podem ler o meu artigo deste mês, para a KIDE Magazine, aqui.
Fiquem a conhecer o nosso cantinho de leitura, e como é fácil, fazerem um também.

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You can now read my article, here, for this month's KIDE Magazine.
 I show you our reading corner, and how easy it is to make one for yourselves. 



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sábado, 28 de maio de 2016

Viva o dia de amanhã :: Hurray for tomorrow's day

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Cinco meses de Qatar. E a vida vai-se, finalmente, ajeitando por aqui. 

Cinco meses a viver no limiar do cinzentão. (Emocional. Não meteorológico!) - Houve dias de puro desespero, em que temi pela minha boa sanidade mental. Juro que sim.
Posso admitir, já estar fora da red zone, e sei, perfeitamente, quem me manteve à superfície: Os livros, minha gente! (Romances, essencialmente).
Se há alguém que possa dizer, com toda a certeza, que os livros são os seus melhores amigos. Esse alguém, sou eu. Simplesmente, porque já fui salva por eles, muitas vezes...
É neles que me refugio nos momentos de angústia. São a única companhia que consigo tolerar (para além do silêncio). Eles têm sempre todas as respostas. E nunca fazem perguntas.

Evadir-me para uma realidade bem longínqua e distinta da minha, parece resultar comigo. 
Ler, ajuda-me a criar distanciamento da origem das minhas penas, assim que, quando regresso novamente a elas, me parecem ligeiramente mais leves.

Ainda bem que me vou cruzando com outras mães, acabadas de chegar, que se sentem de igual forma, desenraizadas e a construir mecanismos internos de adaptação à nova realidade - a partilha de experiências é das melhores coisas do mundo. A união que criam entre as pessoas, também.

Não quero com isto transmitir a ideia, e-r-r-a-d-a, de que esteja infeliz neste pais, emprestado. Nada disso! Muito pelo contrário. Sou infinitamente grata pela oportunidade que a minha família tem, por todas as experiências que nos dá diariamente, pela multi-culturalidade à nossa volta, pelas pessoas que se cruzam no nosso caminho, e que vou conhecendo melhor, todos os dias.
Gosto, antes, de pensar nesta fase inicial, como um custo de oportunidade. 

A realidade dos dias não se alterou, portanto. Ainda requer reajustamentos. Mas a chegada das nossas coisas, representou, indubitavelmente, o momento da mudança, no estado de espírito instalado.
Finalmente, a nossa casa parece-se menos com uma casa, e mais com um lar. A nossa vida parece-se  menos com a vida de campistas, e mais com a nossa.

Aquilo que demorei duas semanas a embalar, montei em 4 dias, completamente obstinada e focada no objectivo. Estava faminta de me sentir eu mesma, novamente. 
A vontade de criar está a regressar, devagarinho. O meu "atelier" já conheceu o seu novo espaço, e está satisfeito com ele; a minha cozinha, já preencheu todos os cantinhos vazios, e já podemos comer os "coaxões da mamã" ao pequeno-almoço.

O Salvador já pode dormir na cama dele e brincar com os seus carrinhos, com as suas pistas, com os seus puzzles e as tão desejadas "pastilinas" - que é como quem diz: Plasticinas.

E este, porém, foi o momento por que mais ansiei: Ver os seus olhinhos brilhar, ao abrir cada uma das suas caixas. Era como se nunca tivesse visto nenhum daqueles brinquedos antes.

Poderão não compreender a dimensão que isto teve para mim, mas, talvez, se vos disser que a última vez que desempacotei a minha "casa", tive que enfrentar um berço vazio, roupas que nunca puderam ser usadas, e por aí fora... eventualmente, compreendam que poderá, muito bem, ter sido um ajuste de contas com o passado... Desta vez, deu-me, realmente, um prazer desmesurado.

Viva o dia de amanhã! - Até porque, curiosamente, é o meu aniversário.

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Five months of Qatar, and life is finally settling.

Five months living in grey tons. - There were days of pure desperation, in which I feared for my good mental sanity. I swear it to you.
I can, now, admit, to be out of the red zone, and know, exactly, what kept me at surface: Books, folks! (Romances, essentially).
If there's anyone out there, who can say that books are our best friends, that would be me. Simply, because I was saved by them many times...
In times of distress, it's in the books, that I refuge myself. They're the only company that I can tolerate (apart from the silence). They, always, have all the answers. And they never ask questions.

Evading myself to a very distant and different reality from mine, appears to work for me.
Reading helps me creating distance from the origin of my pains, so that, when I return to them again, they seem slightly lighter.

I'm glad I meet some other moms, freshly arrived to the country, that feel the same way, uproot and building intern mechanisms to adapt to the new reality - the sharing of experiences is the best thing in the world. The union it creates between people, too.

This is not to convey the w-r-o-n-g idea, that I'm unhappy in this, borrowed, country. Not at all! Quite the opposite, actually. I am infinitely grateful for the opportunity that my family is having, for all  the experiences it gives us daily, for the multi-culturality around us and the people who crosses our path, and I get to know better, every day.
Instead, I like to think about this initial stage as an opportunity cost.

The reality of the days hasn't, then, changed much. It still requires readjustments. But the arrival of our belongings, represented, undoubtedly, a change in the installed state of mind. Finally, our house looks less like a house, and more like a home. And our life, seems less a camper's life, and more our own.

What took me two weeks to pack, I set up in four days. Completely focused on the goal. I was so hungry to feel myself again.
The desire to create is, slowly, returning. My "studio" met his new space, and is satisfied with it; my kitchen has already filled the empty corners, and we can now eat "Mummy's coaxões" for breakfast.

Salvador can now sleep in his bed and play with his cars, his tracks, his puzzles and the much desired "pastilinas" - that is to say: Play-doh.

And this, however, was the moment I yearned the most: Watch his little eyes shine, opening each of his boxes. It was like he had never seen any of those toys before.

You might not come to understand the scale that this event had on me, but perhaps if I tell you that the last time I unpacked my "home", I had to face an empty crib, clothes that had never being used, and so on... and then you can, eventually, understand that this may well have been a settling of accounts with the past... This time, gave me an, indescribable, pleasure.

Hurray for tomorrow´s day! - Because, oddly enough, it is my birthday.


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