Um avô aparece com a neta de 20 meses no parque infantil, a menina muito entusiasmada, quer descer o escorrega desenfreadamente, tropeçando quase em cima dos outros meninos.
- Ei, miúda de um raio! Então mas eu já não te disse que tens que esperar que o menino saia para tu desceres?
- Oh deixe lá a menina! Foi sem querer não foi querida? Olha vamos fazer antes assim, dá cá a tua mãozinha.
- Não. Não. Vamos já embora. Eu estou farto de lhe dizer como é, mas isto minha senhora? Isto é teimosa!...
(A menina chora, tinha acabado de chegar e estava cheia de expectativas).
- Não vale a pena chorares, as meninas que são más não podem vir ao parque. Vamos já embora na minha frente.
(A menina corre em círculos, e chora ao mesmo tempo... e o avó cada vez mais desconcertado por falta de obediência da menina e preocupado com o que as pessoas pudessem pensar).
- Acabou-se o parque, não te trago mais aqui, miúda teimosa, é sempre a mesma coisa! Trago-te ao parque e depois portas-te mal.
bla bla bla, bla bla bla..
***
O meu coração fica tão apertadinho quando assisto a estas cenas... Isto soa-me tanto a violência...
Efectivamente uma menina de 20 meses não saberá muito bem quais as regras pela qual a sociedade em que se insere se rege, mas a única coisa de que ela precisa é que os adultos a guiem e lhe ensinem como deve proceder neste mundo ao qual veio parar, e no qual está a aprender a viver, mostrando-lhe essencialmente respeito e carinho durante o processo de aprendizagem, e não agindo como se ela já tivesse que ter nascido com o ship programado, catalogando-a à partida como uma pessoa má.
Provavelmente este comportamento recorrente da menina já se deve ao facto de saber que vem ao parque por períodos tão curtos de tempo, que o melhor é aproveitar, literalmente ao máximo, antes que alguém se lembre de dizer que ela fez alguma coisa de errado...
Nesta minha caminhada pela maternidade, assisto quase todos os dias a episódios como este, umas vezes mais intensos, outros menos, mas dolorosos de se ver, fico sinceramente chocada com a forma de educar em Portugal e percebo que o problema de um país, pode muito bem começar aquando dos primeiros passos...

Sabes, Sofia, não vou defender o avô, que é claro, poderia ter outra postura. Mas acontece que muitas vezes, estão idosos, sem paciência, cansados (da vida, dos problemas, pouca saúde)e os filhos, sem dó nem piedade, "mandam-lhes" com os netos para cima. Já vi este tipo de cena noutros contexto e dá-me pena da criança, mas tb me custa o avô(ó). O meu sogro costumava dizer que ficou com mais trabalho quando se reformou do que quando estava na sua vida de bancário, pois passou a fazer tudo para os netos (para os meus filhos não, que eu vinha com uma educação de casa que me dizia que se eu quisesse filhos, organizasse a vida de maneira a ser eu a criá-los. E de fato, os meus ficaram sempre entregue aos pais)desde trazê-los da escola, dar-lhes lanche, pequenos recados para os filhos, eu sei lá, era um abuso que nunca mais acabava. Acho que é esta a razão por acontecerem estas cenas tristes e que nos magoam quando assistimos pois poderiam facilmente passarem-se de outra forma, mais alegre, mais leve, só com uma ou outra palavrinha. Bj
ResponderEliminarÉ um facto Val, que muitas vezes os avós estão cansados e não precisam desta responsabilidade em cima, ou nem sequer a chamaram a eles...
ResponderEliminarMas há sempre outras formas, sempre há outras formas!
Este tipo de atitude mostra um desânimo para com a vida em geral, a carga negativa é latente. Usei o exemplo do avó, porque foi ele que esteve ali naquele sábado de manhã, mas poderia ser muito bem um pai ou uma mãe... De certeza que também já te cruzaste com eles por aí.
Este tema é-me muito querido e irei certamente voltar a ele várias vezes (hoje por exemplo acabei de publicar outro exemplo de como podemos fazer diferente nas relações com os nossos filhos, netos ou filhos de outro alguém).
Ninguém nos garante que uma forma de educar diferente funcione melhor, mas acredito que as chances de sucesso são mais elevadas quando agimos com amor no coração, pois tudo é energia e ele flui até ao coração deles.
O nosso grande desafio é vencer a falta de paciência que nos domina hoje em dia, mas com uma atitude consciente chegamos lá ;)
Tudo de bom por ai!
xxx
Sofia